O que é o Capital Natural?

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    O Ativo em Falta no Seu Balanço

    Numa economia globalizada, os impactes ambientais já não se limitam aos locais onde ocorrem. Estão integrados nas cadeias de abastecimento, impulsionados pela procura do mercado e, muitas vezes, ocultos por detrás de decisões empresariais do dia a dia. O que acontece à terra, à água ou à biodiversidade numa parte do mundo pode afetar diretamente a produção, o abastecimento e a resiliência noutra.

    Para as empresas que dependem de recursos naturais, especialmente em setores como a agricultura, a alimentação, a energia ou a indústria, esta realidade é particularmente relevante. A produtividade, a qualidade dos produtos e a estabilidade das operações estão diretamente ligadas ao estado dos ecossistemas. No entanto, fatores como a degradação do solo, a escassez de água ou a perda de biodiversidade continuam a ser tratados como questões externas, em vez de serem integrados na tomada de decisões empresariais.

    Neste contexto, cada vez mais organizações enfrentam uma questão-chave: O que é o capital natural e porque deve fazer parte da estratégia empresarial? A resposta não é apenas ambiental, mas também económica. A natureza não é um fator externo ao negócio, mas sim o ativo que o torna possível.

    Este é o grande desafio. As empresas dependem dos sistemas naturais em todas as etapas da sua cadeia de valor, mas estas dependências raramente se refletem em indicadores-chave de desempenho ou em decisões estratégicas. Como resultado, uma parte essencial do negócio permanece invisível.

    No entanto, esta abordagem está a começar a mudar. À medida que aumentam as pressões ambientais e surgem enquadramentos como a Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD), pede-se às empresas não apenas que compreendam o seu impacto sobre a natureza, mas também a sua dependência dela e os riscos associados.

    Em última análise, não se trata apenas de responsabilidade, mas de continuidade do negócio. As empresas que não integrarem o capital natural na sua gestão correm o risco de ignorar um dos ativos mais críticos para o seu desempenho a longo prazo.

    O que é o Capital Natural e porque é essencial para a sua empresa?

    Se o capital natural é um ativo ausente, a questão seguinte é: o que é exatamente o capital natural?

    A definição de capital natural refere-se ao conjunto de recursos naturais e ecossistemas (como a terra, a água, os solos e a biodiversidade) que sustentam a atividade económica. Estes sistemas geram serviços essenciais, desde a produção agrícola e o abastecimento de água até à regulação do clima, dos quais as empresas dependem diariamente.

    Mas o que significa capital natural em termos práticos? É simples: é a base sobre a qual se constrói qualquer atividade económica.

    Para os setores intensivos em recursos naturais, esta dependência é especialmente evidente. Na agricultura, por exemplo:

    • Os rendimentos dependem da saúde do solo, da disponibilidade de água e da polinização.

    • A produção pecuária depende da qualidade da terra e da estabilidade dos ecossistemas.

    • As cadeias de abastecimento dependem de condições climáticas previsíveis.

    Exemplos de Capital Natural na empresa

    Os casos acima são exemplos claros de capital natural na empresa, mas não são exclusivos do setor agrícola. Indústrias como a alimentação, a energia ou a indústria transformadora também dependem de recursos naturais críticos.

    No entanto, apesar desta dependência direta, o capital natural raramente é gerido com o mesmo rigor que outros ativos.

    A maioria das empresas mede e otimiza o seu capital financeiro, físico ou humano, mas não avalia de forma sistemática a sua relação com a natureza. Isto gera um desequilíbrio: otimiza-se o desempenho sem compreender totalmente os fatores que o tornam possível.

    Por isso, compreender o que é o capital natural não é apenas uma questão conceptual, mas o primeiro passo para melhorar a tomada de decisões e a resiliência do negócio.

    O Risco de Ignorar a Natureza

    Se o capital natural não for gerido, os riscos associados acabam por materializar-se.

    Nos setores dependentes de recursos naturais, estes riscos já são visíveis. A degradação do solo, a escassez de água e a perda de biodiversidade estão a afetar diretamente a produtividade, os custos operacionais e a estabilidade das operações.

    Ao mesmo tempo, a crescente procura global continua a impulsionar a alteração do uso do solo e a pressão sobre os ecossistemas. Isto significa que as decisões empresariais atuais podem gerar impactes e riscos em diferentes partes da cadeia de valor.

    Estes riscos não são teóricos. Traduzem-se em consequências concretas para as empresas:

    • Interrupções na produção devido a limitações nos recursos naturais
    • Redução dos rendimentos e maior variabilidade na produção
    • Instabilidade nas cadeias de abastecimento
    • Maior pressão regulatória e exigências de transparência
    • Riscos reputacionais ligados a impactes ambientais

    Além disso, os mercados financeiros estão a começar a reagir. Investidores, seguradoras e reguladores reconhecem cada vez mais que a perda de natureza implica riscos financeiros, o que está a mudar a forma como o desempenho empresarial é avaliado.

    No entanto, existe uma lacuna importante. Muitos destes riscos continuam sem ser devidamente medidos ou integrados na tomada de decisões. Como resultado, as empresas podem estar a subestimar a sua exposição.

    Ignorar o capital natural não é apenas um problema ambiental. É um risco estratégico que pode afetar diretamente a rentabilidade e a viabilidade do negócio.

    Repensar o Capital Natural como um Ativo Empresarial

    Para além dos riscos, o capital natural também representa uma oportunidade.

    Integrar o capital natural na empresa permite não só mitigar riscos, mas também melhorar a eficiência e gerar valor. Ecossistemas saudáveis contribuem diretamente para a estabilidade da produção e para a redução dos custos operacionais.

    Por exemplo, uma boa gestão do solo pode melhorar a retenção de água e reduzir a necessidade de fatores de produção na agricultura, enquanto noutros setores pode melhorar a segurança do abastecimento de recursos-chave.

    Estes são exemplos de como o capital natural gera valor na empresa, independentemente do setor.

    No entanto, valorizar a natureza não consiste simplesmente em atribuir-lhe um preço. Trata-se de compreender como os recursos naturais sustentam o negócio e como a sua gestão influencia o desempenho a longo prazo.

    Esta mudança de perspetiva permite integrar o capital natural na tomada de decisões, ao mesmo nível de outros fatores-chave como o capital financeiro ou as infraestruturas.

    Do Ponto Cego à Estratégia

    Reconhecer a importância do capital natural é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio é transformar esse conhecimento em ação.

    Para isso, as empresas precisam de uma abordagem estruturada que lhes permita integrar o capital natural na sua gestão diária. Isto implica compreender como as suas operações dependem dos sistemas naturais e quais os impactes que geram, identificar os riscos e oportunidades mais relevantes e utilizar dados e ferramentas para avaliar estas relações com precisão.

    É aqui que a contabilidade do capital natural desempenha um papel essencial. Permite medir e acompanhar o estado dos recursos naturais, compreender como evoluem e quantificar o valor que aportam ao negócio.

    Por fim, esta informação deve ser integrada na tomada de decisões, desde a gestão de fornecedores até ao planeamento estratégico.

    Embora este processo possa parecer complexo, é essencial para alinhar o desempenho empresarial com a sustentabilidade a longo prazo.

    Olhar para o Futuro

    O capital natural está a passar rapidamente de conceito ambiental a fator estratégico-chave para as empresas.

    Para os setores intensivos em recursos naturais, e especialmente para a agricultura, esta mudança é determinante. A produtividade, a resiliência e a rentabilidade dependem diretamente da capacidade de gerir estes recursos de forma eficiente e sustentável.

    As empresas que agirem agora estarão melhor posicionadas para:

    • Antecipar e mitigar riscos.

    • Adaptar-se a novas exigências regulatórias.

    • Melhorar a sua eficiência operacional.

    • Gerar valor a longo prazo.

    • No entanto, alcançá-lo exige mais do que consciencialização.

    • São necessários dados, ferramentas e uma abordagem estruturada que permita integrar o capital natural na estratégia empresarial.

    Porque a Peterson Solutions?

    Na Peterson Solutions, ajudamos as empresas a enfrentar este desafio, apoiando-as na identificação, medição e integração do capital natural na sua tomada de decisões. Desde a análise de riscos até à implementação da contabilidade do capital natural, acompanhamos as organizações na transição para modelos mais resilientes e sustentáveis.

    Neste contexto, a capacidade de transformar a complexidade em decisões claras não só gera valor, como se está a tornar uma vantagem competitiva fundamental.

    Autor

    Olga Sánchez
    Consultora em Sustentabilidade e ESG

    Profissional de sustentabilidade com mais de 5 anos de experiência internacional, especializada em reporting ESG (CSRD, GRI), due diligence em direitos humanos e gestão de riscos ambientais na cadeia de abastecimento. Desenvolveu estratégias ESG e ferramentas de reporte alinhadas com a regulamentação europeia, incluindo avaliações de dupla materialidade. O seu trabalho integra uma visão de impacto positivo nas comunidades e nos ecossistemas.

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